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“Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I’m needy
Warm me up
And breathe me”

Breathe Me – Sia



Recordo-me perfeitamente do primeiro episódio de Six Feet Under (A Sete Palmos, na tradução brasileira) que assisti. Era outubro de 2002 – sim, foi há muito tempo atrás. A tão desejada e planejada casa de praia dos meus pais havia ficado pronta – a demora e a ansiedade estavam nos torturando há alguns bons meses – e eu me ofereci para ajudar a fazer a mudança num ensolarado sábado de primavera.

Após passar o dia limpando chão, desmontando caixa, guardando utensílios de cozinha, montando pequenos móveis e comendo sanduíche de presunto e queijo, resolvemos descansar. Naquela época, eu só conseguia dormir com a televisão ligada e me pai providenciou isso para mim – meu quarto não tinha nada, nem cama (era só um colchão no chão!), mas lá estava a tevê só para mim.

É importante destacar que, naquela época, o condomínio oferecia a todas as casa um pacote mínimo da TV à cabo e tal regalia já estava incluída no valor que pagávamos todo mês junto com a água, a luz, a segurança, etc. Então, todos os cômodos de nossa casa tinha estes canais – algo que me alegrou muito.

Mas, naquela noite da mudança, toda a programação estava voltada para filmes de terror – devia ser algo perto do Halloween ou coisa assim. Como sou medrosa desde sempre, optei por ficar no canal HBO Brasil mesmo, que felizmente não estava apostando em nenhuma temática asustadora – pelo menos, não naquele horário. E, bem, como não poderia deixar de ser, estava sendo exibido o episódio 9 da primeira temporada de A Sete Palmos. Inicialmente, eu não estava ligando muito para a trama – apenas queria ver algo para distrair a cabeça e, assim, pegar no sono logo. Mas, conforme os minutos foram passando, fui entendo bem o que estava acontecendo à minha frente e fui ficando curiosa.

Nas semanas seguintes, já de volta a São Paulo, sempre que eu podia, parava no HBO só para acompanhar o seriado. Era algo esporádico e baseado totalmente em minha curiosidade. O tempo foi passando e eu, sinceramente, não sei como aconteceu. Mas, quando parei para perceber, já estava viciada na Família Fischer e em suas loucuras. Sim! Nate, David, Claire, Ruth, Frederico, Keith e Brenda haviam me conquistado no auge dos meus 16 anos e toda aquela trama de morte, casa funerária, conflitos familiares, homossexualidade, sexo, transgressão e liberdade era muito mais do que eu poderia explorar numa tela eletrônica… Talvez foi isto que me chamou tanto a atenção.

Nas primeiras temporadas, eu estava terminando o colegial. Então, tinha uma rotina mais rígida e dedicava muito tempo aos meus estudos. Com isso, gravava os episódios e, sempre que encontrava uma brecha, assistia-os no final de semana – costumava juntar dois ou três episódios na fita VHS e assistia de uma vez só (era uma delícia fazer isso!). Já nas últimas temporadas, desenvolvi todo um outro ritual. Por volta das 20h45 da noite de todo domingo, já me trancava no quarto e só saia de lá após ver o episódio inédito. Sim! Aquele horário era sagrado para mim e não queria que nada e ninguém me atrapalhasse.

Meus pais, no começo, acharam tudo isso muito estranho. Achavam que a série era forte demais para mim – até um pouco inadequada… Mais tarde, achavam que eu era exagerada demais e não entendiam muito bem a minha necessidade de ver o episódio inédito trancada no quarto. Mas, conforme o tempo foi passando, eles entenderam que aquilo era uma válvula de escape para mim – minha realidade se diluía durante a uma hora em que eu ficava imersa no mundo da Família Fischer e, com isso, conseguia viver muito melhor e muito feliz.

Na última temporada, já em 2006, eu basicamente chorava todo final de episódio. Sabia que algo muito bom e muito importante para mim estava se encerrando e fiz questão de viver todo o luto. O último episódio – o melhor season finale que já vi na vida – me fez chorar por uma semana inteira – e olha que eu já estagiava… Mas, mesmo assim, não consegui controlar toda a minha emoção (minha sorte foi que, durante o meu período de estagiária, meus chefes eram muito bonzinhos e compreensivos… Por isso não ligava de eu ser extremamente sentimental!).

Muitos anos se passaram desde então. Minha vida mudou bastante, mas jamais esqueci Six Feet Under. Acabei adquirindo a série completa em DVD conforme fui encontrando promoções boas (a última temporada ganhei de aniversário em 2009) e confesso que, apesar de ver pouco estes DVDs, sinto-me muito hornada de tê-los ali, na estante de meu quarto. Afinal, foi um programa que me marcou profundamente – minha visão de mundo mudou muito graças a Alan Ball e seus roteiros que me deixam atordoada e completamente sem fala.

Six Feet Under é tão importante em minha história que já fico toda arrepiada só de ouvir a música tema da abertura… Loucura, né?!



“Posso falar da tarde que cai
E aos poucos deixa ver no céu a Lua
Que um dia eu te dei
Pra brilhar
Por onde você for
Me queira bem
Durma bem
Meu amor
Durma bem
Me queira bem
Meu Amor”

A Lua Que Eu Te Dei – Ivete Sangalo



E a lua virou a maior cúmplice dos meus mais verdadeiros sentimentos…

Sim! Ela lá em cima, iluminando a escuridão dos céus, consegue ser o meu refúgio no final do domingo, quando a volta para casa deixa uma pequena sensação de vazio no coração – sensação que, ao longo da semana, se transforma numa saudade incontrolável. É esta mesma lua que, enquanto serve de abrigo para São Jorge, preenche as minhas lacunas da distância física e traz alegria ao recordar o mais delicioso sorriso que existe na face da Terra. É a lua, a eterna inspiração dos corações apaixonados, quem me faz companhia, quando o sono hesita em chegar nas demoradas madrugadas de insônia.

Afinal, como dizia o poeta: “Hoje a lua despiu seu véu… E flutua a dormir no céu”. E, enquanto ela faz isso e cumpre sua obrigação, eu fico a suspirar por aqui, acreditando que o gato de Cheshire irá se completar e exibir seu rosto no meu céu.

“Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia…”

Não Vou Me Adaptar – Titãs



O tempo passa para todos… Isso é um fato e já escrevi sobre este tema diversas vezes por aqui. Mas a verdade é que não me acostumei ainda com todas as responsabilidades que uma casa traz conforme os anos vão passando. Sim! A vida adulta é muito mais do que pura diversão e controle total de suas vontades… Na verdade, acho que isto é apenas uma pequena parcela dentro de todas as obrigações do cotidiano.

É lavar louça, arrumar a cama e trocar os lençóis regularmente, tirar a roupa seca do varal, colocar a roupa suja para lavar, tirar o lixo, limpar a geladeira e acabar com possíveis maus odores de alimentos estragados, fazer supermercado, pagar conta, administrar dinheiro, pensar no que haverá no almoço e na janta, consertar utensílios quebrados e muito mais… Tudo isso em meio a algumas horas de sono, à vida social, familiar e sentimental, às crises pessoais e, principalmente, aos pequenos problemas do dia a dia de qualquer ser humano.

Quando eu era pequena, adorava brincar de casinha. Sim! Brincava de ir ao supermercado (minha prima tinha um caixa eletrônico e passávamos horas brincando de fazer compras), arrumar a casa, cuidar da roupa etc. Juro que, seu eu soubesse que passaria boa parte dos meus dias de gente grande fazendo isso, teria brincado de outra coisa… Sério mesmo! Mas também sei que não posso reclamar. Se as responsabilidade aumentaram é que, de alguma forma, eu mostrei que dou conta do recado e, sem querer me gabar, isso é a pura verdade.

O problema é que, às vezes, me canso um pouco dessa rotina doméstica e adulta. Fico com vontade de fazer as minhas coisas, responder os meus e-mails, dormir um pouco mais, sair um pouco mais e viver de forma mais tranqüila ao invés de apenas cumprir com as minhas obrigações diárias… Mas, enfim, acho que isto é apenas um desabafo mesmo.

Afinal, reclamar não vai adiantar nada e, de verdade, tenho que agradecer por ter uma ajuda uma vez por semana… Porque, sinceramente, fazer faxina não é algo que me agrada muito! Ou seja, minhas funções domésticas poderiam ser piores ou, pelo menos, mais complicadas!

“Paz e harmonia: eis a verdadeira riqueza de uma família”

Benjamim Franklin



O domingo de comemoração do Dia das Mães não poderia ter sido mais feliz para mim. Meus pais, que moram no litoral há dois anos, ficaram em São Paulo durante o final de semana e, pela primeira vez em muitos anos, saímos somente nós quatro para almoçar fora. Papai escolheu o bairro da Liberdade – ele queria ver algumas coisas por lá – e todo mundo adorou.

Por causa do dia nublado e da previsão de chuva, inicialmente achávamos que nosso passeio não aconteceria. Mas os deuses resolveram cooperar com a gente e, durante o tempo em que ficamos por lá, não caiu um pingo de água do céu. Assim, pudemos nos divertir bastante: vimos várias lojinhas dos pequenos shoppings, fomos na feirinha tradicional do bairro e comemos num delicioso restaurante por quilo.

Além disso, fizemos algumas boas compras e eu, como não poderia deixar de ser, me diverti mais do que todo mundo. Aproveitei a rápida passada por lá e me aventurei pelas ótimas lojas de mangás e animes. Descobri várias novidades legais e até trouxe para casa alguns itens não programados. Mas como resistir? Nossa! É muito difícil ver tudo aquilo e não ficar tentado a comprar algo… Ops!

Foi realmente um domingo muito bom e, basicamente, inesquecível!

“Você que já esteve no céu
Foi tudo divertido prá você
Chega a hora então
De provar tudo que existe
Tire agora os sapatos
Jogue tudo pro alto
Sinta o chão
Aprender a andar descalço
Num mundo de asfalto
E sem coração
Até que o mundo gire ao seu redor…”

O Mundo – Capital Inicial



Voltei da minha aula de inglês, na última quarta-feira, tão cansada que, assim que entrei em casa, me atirei no sofá da sala e ali fiquei por algumas boas horas – aninhada bem confortavelmente. Minha irmã, atenciosamente, me trouxe um enorme copo de água e me estiquei toda – uma delícia! Vi um pouco de novela, assisti alguns seriados antigos, sofri com o jogo entre Corinthians e Flamengo, conversei com a minha avó (via celular porque era o que estava mais perto de mim) e aproveitei para descansar um pouco – tudo isso no querido sofá azul.

Meu cansaço, naquele final de dia, novamente era muito mais do que físico, era basicamente mental – pensar demais, cansa. Mas não era só isso! Na verdade, eu estava vivendo um misto de sentimentos, era uma junção da loucura dos últimos tempos, o pouco tempo de sono da noite anterior e uma boa dose de frustração por conta de acontecimentos diversos… Coisas da vida, né?!

Fiquei naquele sofá quase 4 horas e, sinceramente, foi muito bom. Não pensei em quase nada – apenas sofri com os gols não feitos, com as oportunidades perdidas dentro do campo do Pacaembu e dei alguns pulos de ansiedade… Mas só isso! Por volta da meia-noite, resolvi continuar com a minha vida e, assim, fui colocar ordem na casa, lavar a roupa e a louça, tirar o lixo, além da básica organização da vida virtual. Obviamente, há MUITO por fazer – minha caixa de entrada está bem cheia, mas não posso reclamar – o descanso no sofá me ajudou muito e me relaxou bastante.

No final de tudo, o coração alvinegro estava levemente triste – seria legal continuar na Copa Libertadores. Além disso, após refletir tudo o que foi dito e feito, decidi que não me deixaria abalar por tudo o que havia acontecido. É aquela velha história: preciso deixar no passado aquilo que faz parte do passado e continuar minha vida, encarando cada novo dia como um novo desafio, um novo recomeço… Simples assim!

“A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda”

Carlos Drummond de Andrade



Conforme planejado e esperado, a minha terça-feira, 4 de maio, começou bem cedo e, antes das 10 horas da manhã, eu já tinha saído de casa (algo que, para mim, é bem raro). Por mais incrível que pareça, terça-feira, teoricamente, era para ser o meu dia mais tranqüilo neste primeiro semestre de 2010 – seria o dia que eu dedicaria aos estudos, às leituras e à organização da vida acadêmica. Mas, nas últimas semanas, isto não tem acontecido… Tudo bem! Por conta da qualificação tardia, muitos compromissos se acumularam e, agora, preciso correr atrás do tempo perdido.

Por sorte, a minha terça-feira foi bem agitada, mas consegui fazer tudo o que precisava. Fui ao dentista, busquei um livro na Livraria Cultura (a espera de 5 semana valeu a pena), almocei num restaurante vegetariano e totalmente natureba, comecei a finalizar a bibliografia do grupo de pesquisa, participei da reunião do grupo de pesquisa, anotei a reunião toda para transformá-la numa ata e ainda vi uma amiga conquistar, merecidamente, o título de mestre.Parece que não, mas tudo isso junto cansa bastante… Cansa mais mental do que fisicamente, mas cansa de qualquer jeito.

E, depois disso tudo, o meu dia terminou em bunda, metrô da Barra Funda lotado, expectativa frustrada, pé machucado, caminhada noturna, reconciliação entre amigos, conversa metida a besta, risadas coletivas, tumultuo no transporte coletivo, nervo ciático pinçado, ata de reunião no computador e muita manha, sono e cansaço… Mas, de verdade, não posso reclamar.

Eu sei de verdade que o meu dia foi bom, porque, assim que cheguei em casa, uma sensação muito boa a satisfatória tomou conta de mim. Eu sabia que tudo tinha valido a pena e esta certeza é muito importante para mim!

Veio um instante, partiu de novo,
Leve, sem nome…
Para que nomes? Era azul e voava…
No véu das horas punha o seu motivo.
Partiu. E nem
Ficou sabendo
Como eu acaso me chamava.

Mario Quintana


Final de mês é sempre época de reflexão para mim… Não tem jeito! Estamos no final do quarto mês de 2010, mas tanta coisa já aconteceu comigo e com as pessoas ao meu redor que confesso que estou BEM perdida. Há momentos que já não sei mais quem sou. Em outras ocasiões, não me reconheço e, na maior parte do tempo, meus sentimentos estão literalmente à flor da pele. Às vezes, tenho a sensação de uma panela de pressão que está prestes a explodir e, sinceramente, não consigo entender se isso é bom ou ruim!

Para variar, não tenho dormido quase nada – a cabeça anda mais cheia do que nunca! Minhas noites têm sido longas e gasto a maior parte da madrugada vendo televisão – entendo que assim estou descansando um pouco o cérebro por assistir programas já conhecidos ou algo bem simples. Mas isto tem me afetado bastante. O cansaço me deixa muito ansiosa e agitada. Tem momento que nem eu me agüento! Ops!

Não sei! Ando tão centrada em meus pensamentos que me esqueço de todo o resto e, na parte do tempo, não sei nem explicar o que eu estava pensando. Ou seja, tudo tem sido bem confuso no meu interior. É um turbilhão de tudo e nada, ao mesmo tempo, acontece em minhas células, em meu cérebro, em meu coração, em minha alma.

Dizem que entrar em crise e mudar o panorama do conhecimento é sempre bom e que ajuda no processo de redescobrimento! Não sei… Acho que pode ser isto sim! Afinal, o sol sempre volta a brilhar depois de uma longa tempestade, né?! É por isso que, no meio disto tudo, tento superar as minhas barreiras internas e encontrar a minha lucidez. Juro que não sei se está dando certo, mas Deus sabe que tenho me esforçado.

Enquanto passo por mais esta fase tumultuada, fico só na saudade da Iza que era apaixonada, da Iza que acreditava em contos de fadas, na Iza que sempre estava cantando e de bom humor e, principalmente, da Iza que estava sempre disposta a sair de casa… Perdi-me em alguma estrada da vida – não sei em qual -, mas continuo na luta para encontrar me reencontrar.

 

Maio 2012
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