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“Na delegacia só tinha viciado e delinquente
Cada um com um vício e um caso diferente
Um cachaceiro esfaqueou o dono do bar
Porque ele não vendia pinga fiado
E um senhor bebeu uísque demais
Acordou com um travestí e assassinou o coitado
Um viciado no jogo apostou a mulher
Perdeu a aposta e ela foi sequestrada
Era tanta ocorrência, tanta violência”
O Cachimbo Da Paz – Gabriel O Pensador
4 meses após a minha banca de mestrado, voltei à PUC para buscar o meu diploma – sim, mestrado e doutorado têm diploma também e ele é L-I-N-D-O (todo trabalhado)! Na verdade, no dia da minha defesa, dei entrada na papelada de final de pós-graduação: certificado de conclusão, histórico e diploma. Os dois primeiros ficariam prontos após o dia 10 de janeiro, mas acabei de me enrolando e fui deixando para buscar depois…
Até que chegou uma carta em casa avisando da chegada de meu diploma, ou seja, eu não tinha mais desculpa e realmente precisava buscar os meus documentos.
Optei por resolver isso na noite da terça-feira, dia 5 de abril. Como era meu aniversário de namoro (7 meses!), o meu namorado me pegou no trabalho e me levou até a PUC – ganhei até uma linda rosa pela ocasião! Além da carona, ele me fez companhia por lá também. Primeiro fomos à tesouraria da instituição e depois, à secretaria da pós-graduação. Confesso que eu acreditava que só encontraria o diploma – fiquei com medo de que os outros documentos já tivessem ido para o lixo por demorar TANTO tempo para buscá-los. Mas, felizmente, estava tudo por lá, me esperando!
Então, depois de resolver tudo, eu e o namorado resolvemos jantar para comemorar o nosso aniversário de namoro. Por causa da falta de dinheiro, optamos por um restaurante pequenino, perto da PUC mesmo, só para comermos um lanche e não deixar a data passar em branco. Escolhemos uma mesa perto da entrada – a única disponível! – e nos sentamos! Como de costume, coloquei a bolsa pendurada na cadeira e relaxei – o dia tinha sido estressante no meu trabalho e estava bem aliviada de tudo ter dado certo!
Pedimos os lanches e, no meio de uma divertida conversa (teve até foto com a minha rosa!), fui pegar uma caneta na minha bolsa. Mas, para minha surpresa, ela estava aberta e sem a minha carteira! Sim, alguém abriu a minha bolsa e pegou a minha carteira! Quando vi, me deu o maior desespero. O namorado foi conversar com o dono do restaurante para ver se havia alguma câmera de filmagem ou algo do tipo, enquanto saí na rua e tentei ver se tinham jogado os documentos na rua! Mas foi em vão!
Minha carteira havia sido furtada e eu precisava agilizar toda a parte burocrática! Devoramos os lanches rapidamente e fomos até a delegacia mais perto! Enquanto esperávamos para ser atendidos (é incrível as histórias que se ouve numa delegacia!), bloqueei o cartão do banco, avisei o convênio de saúde e fiquei pensando o que deveria fazer, nos documentos em que eu carregava e nas informações que poderiam estar em minha carteira.
A verdade é que o B.O., em si, já me ajudaria! Mas eu estava me sentindo sufocada. Sentia-me insegura e com muito medo! Alguém estava com os meus documentos e eu não fazia a menor idéia de quem poderia ser! Não sabia o que esta pessoa poderia fazer e nem se havia um propósito em não descartar na rua os meus documentos! Para completar, algumas pessoas ao meu redor também foram acometidos por esta sensação de medo e insegurança – ou seja, eu só conseguia encontrar mais daquilo que eu estava sentindo ao invés de um pouco de tranqüilidade e segurança – sorte que, sempre que isso acontecia, o namorado conseguia me trazer um pouco de razão e me acalmava!
Nos dias seguintes, entrei numa neura louca. Coloquei alerta de fraude no meu nome no Serasa e no SPC, fui atrás de um novo RG, avisei a portaria do meu prédio para relatar qualquer movimentação estranha ou pessoas que procurassem eu ou minha irmã, solicitei um novo cartão do banco e, para piorar, comecei a andar suspeitando de todos. Sem contar que ligava quase que todos os dias para o Metrô, Correio e CET para ver se haviam entregue meus documentos lá, mas eu sempre ouvia um solidário “não” todas as vezes!
Enfim, aos poucos, fui recuperando a minha sanidade. O medo continua aqui comigo – nunca senti o meu espaço tão invadido assim! Mas, felizmente, passou a neurose. Óbvio que cuido muito melhor da minha bolsa, não a penduro mais na cadeira quando vou almoçar ou jantar e passei a ter mais precaução na rua. Acho que cuidados básicos para quem mora numa cidade grande, não?!
Ahhh! A única coisa que deu MUITO problema para mim, neste furto de minha carteira, foi o banco! Sim! Meu cartão débito/crédito demorou mais de um mês para chegar e, neste meio tempo, recebi 8 cartões que não eram o que eu precisava, liguei 5 vezes para o banco para esclarecer o porquê de tanta demora e ainda precisei usar minha hora do almoço em três dias para ir ao banco, conversar e entender o que estava acontecendo! Uma loucura! Mas, apesar de todos os estresses, deu tudo certo também!
Ainda bem!
Dia em que minha carteira foi furtada… Ou melhor, como quero lembrar deste dia: aniversário de namoro – 7 meses!

