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Por Pablo Neruda
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Quatro meses se passaram desde que fomos oficialmente apresentados. O tempo passou muito rápido desde aquela ocasião e minha vida mudou radicalmente… Entre altos e baixos, muitos deles gerados pelo final de meu mestrado, descobri que a felicidade é muito mais simples do que eu poderia imaginar e que está, basicamente, nas pequenas ações do cotidiano.
Nestes quatro meses, a trilha musical de minha vida foi bem variada. Houve The Cranberries, Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii, Os Paralamas do Sucesso, The Cure, Zélia Duncan, The Smashing Pumpkins, Raul Seixas, Capital Inicial, Los Hermanos, Maria Rita, Legião Urbana, Tom Jobim, Phoenix e muitas outras (são tantas que nem me lembro de todas). Algumas músicas foram declamadas nas mais variadas situações e outras, embalaram momentos que só fazem sentido para nós dois.
Sim! Não foram palavras e nem fotos que construíram a nossa recente história, foram letras de músicas, melodias e arranjos… Cada uma em um determinado momento, numa determinada ocasião e, mesmo sem saber, com um determinado significado. Se eu precisasse resumir os últimos quatro meses, com certeza faria um CD bem eclético, mas com a reunião de todos os momentos que me trouxeram até o dia de hoje! ♥
“Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I’m needy
Warm me up
And breathe me”
Breathe Me – Sia
Recordo-me perfeitamente do primeiro episódio de Six Feet Under (A Sete Palmos, na tradução brasileira) que assisti. Era outubro de 2002 – sim, foi há muito tempo atrás. A tão desejada e planejada casa de praia dos meus pais havia ficado pronta – a demora e a ansiedade estavam nos torturando há alguns bons meses – e eu me ofereci para ajudar a fazer a mudança num ensolarado sábado de primavera.
Após passar o dia limpando chão, desmontando caixa, guardando utensílios de cozinha, montando pequenos móveis e comendo sanduíche de presunto e queijo, resolvemos descansar. Naquela época, eu só conseguia dormir com a televisão ligada e me pai providenciou isso para mim – meu quarto não tinha nada, nem cama (era só um colchão no chão!), mas lá estava a tevê só para mim.
É importante destacar que, naquela época, o condomínio oferecia a todas as casa um pacote mínimo da TV à cabo e tal regalia já estava incluída no valor que pagávamos todo mês junto com a água, a luz, a segurança, etc. Então, todos os cômodos de nossa casa tinha estes canais – algo que me alegrou muito.
Mas, naquela noite da mudança, toda a programação estava voltada para filmes de terror – devia ser algo perto do Halloween ou coisa assim. Como sou medrosa desde sempre, optei por ficar no canal HBO Brasil mesmo, que felizmente não estava apostando em nenhuma temática asustadora – pelo menos, não naquele horário. E, bem, como não poderia deixar de ser, estava sendo exibido o episódio 9 da primeira temporada de A Sete Palmos. Inicialmente, eu não estava ligando muito para a trama – apenas queria ver algo para distrair a cabeça e, assim, pegar no sono logo. Mas, conforme os minutos foram passando, fui entendo bem o que estava acontecendo à minha frente e fui ficando curiosa.
Nas semanas seguintes, já de volta a São Paulo, sempre que eu podia, parava no HBO só para acompanhar o seriado. Era algo esporádico e baseado totalmente em minha curiosidade. O tempo foi passando e eu, sinceramente, não sei como aconteceu. Mas, quando parei para perceber, já estava viciada na Família Fischer e em suas loucuras. Sim! Nate, David, Claire, Ruth, Frederico, Keith e Brenda haviam me conquistado no auge dos meus 16 anos e toda aquela trama de morte, casa funerária, conflitos familiares, homossexualidade, sexo, transgressão e liberdade era muito mais do que eu poderia explorar numa tela eletrônica… Talvez foi isto que me chamou tanto a atenção.
Nas primeiras temporadas, eu estava terminando o colegial. Então, tinha uma rotina mais rígida e dedicava muito tempo aos meus estudos. Com isso, gravava os episódios e, sempre que encontrava uma brecha, assistia-os no final de semana – costumava juntar dois ou três episódios na fita VHS e assistia de uma vez só (era uma delícia fazer isso!). Já nas últimas temporadas, desenvolvi todo um outro ritual. Por volta das 20h45 da noite de todo domingo, já me trancava no quarto e só saia de lá após ver o episódio inédito. Sim! Aquele horário era sagrado para mim e não queria que nada e ninguém me atrapalhasse.
Meus pais, no começo, acharam tudo isso muito estranho. Achavam que a série era forte demais para mim – até um pouco inadequada… Mais tarde, achavam que eu era exagerada demais e não entendiam muito bem a minha necessidade de ver o episódio inédito trancada no quarto. Mas, conforme o tempo foi passando, eles entenderam que aquilo era uma válvula de escape para mim – minha realidade se diluía durante a uma hora em que eu ficava imersa no mundo da Família Fischer e, com isso, conseguia viver muito melhor e muito feliz.
Na última temporada, já em 2006, eu basicamente chorava todo final de episódio. Sabia que algo muito bom e muito importante para mim estava se encerrando e fiz questão de viver todo o luto. O último episódio – o melhor season finale que já vi na vida – me fez chorar por uma semana inteira – e olha que eu já estagiava… Mas, mesmo assim, não consegui controlar toda a minha emoção (minha sorte foi que, durante o meu período de estagiária, meus chefes eram muito bonzinhos e compreensivos… Por isso não ligava de eu ser extremamente sentimental!).
Muitos anos se passaram desde então. Minha vida mudou bastante, mas jamais esqueci Six Feet Under. Acabei adquirindo a série completa em DVD conforme fui encontrando promoções boas (a última temporada ganhei de aniversário em 2009) e confesso que, apesar de ver pouco estes DVDs, sinto-me muito hornada de tê-los ali, na estante de meu quarto. Afinal, foi um programa que me marcou profundamente – minha visão de mundo mudou muito graças a Alan Ball e seus roteiros que me deixam atordoada e completamente sem fala.
Six Feet Under é tão importante em minha história que já fico toda arrepiada só de ouvir a música tema da abertura… Loucura, né?!
“Posso falar da tarde que cai
E aos poucos deixa ver no céu a Lua
Que um dia eu te dei
Pra brilhar
Por onde você for
Me queira bem
Durma bem
Meu amor
Durma bem
Me queira bem
Meu Amor”
A Lua Que Eu Te Dei – Ivete Sangalo
E a lua virou a maior cúmplice dos meus mais verdadeiros sentimentos…
Sim! Ela lá em cima, iluminando a escuridão dos céus, consegue ser o meu refúgio no final do domingo, quando a volta para casa deixa uma pequena sensação de vazio no coração – sensação que, ao longo da semana, se transforma numa saudade incontrolável. É esta mesma lua que, enquanto serve de abrigo para São Jorge, preenche as minhas lacunas da distância física e traz alegria ao recordar o mais delicioso sorriso que existe na face da Terra. É a lua, a eterna inspiração dos corações apaixonados, quem me faz companhia, quando o sono hesita em chegar nas demoradas madrugadas de insônia.
Afinal, como dizia o poeta: “Hoje a lua despiu seu véu… E flutua a dormir no céu”. E, enquanto ela faz isso e cumpre sua obrigação, eu fico a suspirar por aqui, acreditando que o gato de Cheshire irá se completar e exibir seu rosto no meu céu.
“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade”
Fernando Pessoa
Só uma pessoa basicamente a favor da expressão quase que total dos sentimentos. Acredito que é bonito e admirável observar emoções virarem palavras, gestos e símbolos. Também sou da opinião de que sensibilidade é algo necessário para a construção de seres humanos melhores e mais aptos a viver plenamente cada dia, cada nova experiência e cada oportunidade que aparece durante a jornada cotidiana.
Mas a verdade é que, quando estou na TPM – Tensão Pré-Menstrual, fico com uma sensibilidade exacerbada que nem eu me agüento. Tudo abala minha estrutura, tudo me deixa extremamente chateada e emotiva, tenho reações exageradas por situações que nem repararia em outros momentos e fico mais chorona do que sou… De verdade? É uma época muito difícil do meu mês.
Sei que muita gente pode achar que isso é apenas uma desculpa para ficar um pouco descontrolada. Mas, no meu interior, eu sei que não é isso. Tanto que este exagero sentimental é algo que me incomoda fortemente. Além do mais, TPM é uma doença e hoje já é encarada como tal. É preciso um controle rigoroso dos hormônios, uma alimentação mais adequada e saudável nesta época, uso de alguns remédios (tarja preta até) e uma série de cuidados.
No meu caso, ainda estou procurando o melhor tratamento. É verdade que, em relação a meses passados, estou bem melhor. Antes, eu ficava extremamente nervosa e irritada – com isso, tinham medo de mim e achavam que eu poderia até bater em alguém. Mas, graças a minha médica, este cenário já mudou e, atualmente, só fico MUITO mais sensível mesmo. Só que ainda não está bom, nada bom para falar a verdade e sei que ainda preciso descobrir como fazer para não sofrer tanto.
Mas, de verdade, o que eu quero é que, enquanto não acho a melhor forma de me tratar, haja muita paciência… Comigo mesmo e com as pessoas ao meu redor. Caso contrário, tenho medo de ficar sozinha e acabar afastando/assustando todos aqueles que adoro demais!






