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“São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração”

Águas de Março - Tom Jobim



Março foi um mês bem conturbado. É verdade que teve dias mágicos e encantadores – o 13 de março entrou para a minha história. Mas também foi um mês de encontros, desencontros, frustrações, verdades, revelações, tomada de consciência, cansaço e algumas boas definições para o futuro. Não reclamo de nada o que vivi. Não me arrependo de nada do que fiz. Apenas agradeço a oportunidade de poder recomeçar num novo combinado de dias. Quem sabe agora mais calma, mais centrada, eu consiga finalmente acertar os meus passos, não é mesmo?! Eu, sinceramente, não perco as esperanças!

“Even though you feel alone
It can rain everyday
It don’t rain forever
The sunshine may be gone , but I know
It can rain everyday
It don’t rain forever”

It Can’t Rain Everyday – P.O.D.



Eu me desmanchava no meio da forte chuva daquele final de segunda-feira.

Não! Eu não sou feita de papel, mas meu material orgânico, naquele momento, era mais fino que a celulose! Cada pingo que escorria por meu corpo, levava embora um pedaço meu. Eram as lágrimas, as tristezas, as desilusões, as frustrações, os medos, os receios, as inseguranças… Tudo isso foi embora com a água que caia do céu.

Eu olhava ao meu redor e via pessoas nas mais diversas situações.  Um vivido senhor tentava salvar sua casa de papelão procurando um lugar onde guardá-la. Um cachorrinho abandonado se escondia embaixo de um toldo e, resignado a sua condição, não encarava os pedestres que passavam por ele. Um empresário, sem uma proteção qualquer, caminhava no meio daquele caos como se nada estivesse acontecendo. Uma mãe corria com o filho e não reparava em nada o mais.

Senti vontade de chorar. O mundo parecia tão frágil, tão injusto, tão triste, tão vazio. Mas não! Não chorei! Resolvi deixar de lado meu lado emotivo e resolvi finalmente fazer a minha parte. Podia não ser muito, mas eu sabia que estava tentando.

Pela primeira vez em muito tempo, senti uma força maior dentro de mim. Deixei de ser coadjuvante em minha própria vida!

“Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria. Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder”

Lao-Tsé



Não dá para controlar os acontecimentos da vida. Não dá para controlar os sentimentos. Talvez dê para controlar os pensamentos (com muita disciplina, acho sim que isso é possível). É preciso controlar as ações. É preciso controlar as palavras… É preciso controlar os impulsos negativos, os ressentimentos, as mágoas, os ímpetos desesperados e os saltos rumo à solidão.

Viver talvez não seja fácil. Há dias em que uma força maior do universo parece conspirar contra o indivíduo que levantou com o pé errado. Cotidianamente, é preciso administrar tantos acontecimentos e isso pode ser sim bem complicado. Mas, apesar de todos os pesares, viver não é tão ruim assim não.

Tudo, talvez, fique mais fácil quando deixamos de lado a vontade louca de controlar os passos dados e apenas nos preocupamos em agradecer a estrada oferecida, em observar a paisagem ao nosso redor, em reconhecer a chance de poder recomeçar sempre e em aproveitar ao máximo aqueles que nos acompanham rumo a um destino desconhecido.

Viver pode ser sim uma luta diária, mas não é por isso que precisamos agir como soldados impiedosos. Afinal, uma palavra de carinho, às vezes, é o que faz a diferença da existência de alguém!

Tive muita sorte em minha vida. Tanto os meus avós paternos quanto os maternos sempre foram maravilhosos, carinhosos e super amorosos comigo. Infelizmente, não tive muito tempo para curtir os pais do meu pai – eles foram  emobora cedo demais para mim, mas já haviam vivido bastante e preciso reconhecer isso.

Minhas avós sempre foram princesas. Nossa! As duas sempre se deram muito bem comigo e foram as melhores avós que uma neta poderia desejar. Por outro lado, meus avôs sempre foram homens difíceis e, por mais incrível que pareça, eu sempre me dei muito bem com eles. Talvez fui uma das poucas netas que sempre teve um pingo a mais de paciência para lidar com suas personalidades fortes e, assim, saber extrair a boa essência deles.

Meu avô materno ainda é um homem difícil. Genioso, bravo e teimoso, sempre quer as coisas do jeito dele. Come a comida que ele faz, não respeita a dieta alimentar por causa da diabetes, implica basicamente por tudo. É aquele homem que se ama ou se odeia e eu, por sorte, amo demais.

Ah! Adoro sentar ao lado do meu avô depois do almoço e ficar ouvindo suas histórias, enquanto descanso um pouco encostada em seus ombros. Adoro a forma como ele conta dados históricos e comenta as mais loucas passagens da história mundial. Adoro quando ele começa a falar de música e arrisca cantar algumas canções antigas. Ah! Ele é tão fofo. Sempre com seus bordões, suas frases, suas brincadeiras bobas e as gracinhas, quase sempre, em horas erradas.

Atualmente, os seus 84 anos estão bem marcados no cotidiano de meu avô. Ele já não consegue andar muito bem, precisa ter a bengala sempre por perto, vive de boina na cabeça por causa de frio e vive com dor aqui e dor ali. Mesmo assim, ele continua a ser o vovô querido de sempre – disposto a oferecer um bom almoço quando vamos lá e cheio de conversas.

Da última vez que o acompanhei às compras, descobri mais uma mania dele. Vovô não pode ver um clipes no chão que ele já pega. Afinal, como ele muito bem diz, elásticos e clipes são sempre muito úteis e nunca saberemos quando precisaremos de um. Ahhhhhhhh! Tem como não amar?

Agradeço por cada minuto que passo ao lado dele e da vovó. É bem verdade que não vou muito na casa deles (esta fase final de mestrado tem sido bem puxada), mas converso com eles por telefone todos os dias (às vezes, duas vezes por dia). E, quando me proponho a visitá-los, vou sem pressa para poder curti-los bastante. É tão bom!

Meus avós estiveram ao meu lado durante todo o meu crescimento. Eles foram realmente meus segundos pais e trago muito deles em mim. Reconheço os erros deles, sés pensamentos antiquados e suas teimosias, mas é por isso que eu os amo tanto.



Pode não parecer, mas meu avô é um homem muito engraçado…

“Yesterday, there was so many things
I was never told
Now that I startin’ to learn
I feel I’m growin’ old”

Yesterdays – Guns N’ Roses



Cresci vendo fotos e pôsteres do Axl Rose. Isso graças a uma das minhas primas mais velhas que era APAIXONADA por ele e fazia questão de decorar seu quarto. Então, minha irmã e eu gostávamos de passar nossas tardes de domingo (no famoso encontro para o café-da tarde), vendo aquelas imagens e tentando imaginar o porquê de minha prima idolatrar tanto um rapaz que parecia menina, que tinha cabelo comprido e que estava sempre sem camisa…

Hahahaha! Coisas de criança!

Sem saber, eu já estava moldando ali o meu gosto por homens. Sim! A partir daquele modelo e da figura paterna (nisso Freud estava MUITO certo), acabei pegando gosto pelos barbudos, cabeludos e a forte tendência pelos loiros – algo que seria bem marcante em minhas paixões de adolescente.

Conforme fui crescendo, fui gostando das músicas do cabeludo loiro, o qual minha prima era fã, depois descobri o Guns N’ Roses por completo, desenvolvi uma enorme admiração pelo Slash e seus riffs inesquecíveis, aprendi mais sobre a história da banda (sempre voltado para os fatos inúteis e desimportantes) e passei a sonhar com aquele cabeludo loiro… Ah! Que lindo!

Quando eu estava com 15/16 anos, a minha paixão pelo Guns N’ Roses e pelo Axl estavam mais fortes. Nessa época ganhei de minha mãe o DVD duplo do Use Your Illusion, gravado no Japão. Neste mesmo ano, na semana do meu aniversário, a MTV Brasil fez um especial com clipes do Guns N’ Roses e, no fatídico dia em que completei 16 anos, passou Paradise City na televisão. Foi um presente muito especial!

Durante muito tempo, fiquei esperando o lançamento do Chinese Democracy. Em 2004, no lançamento de um fanzine que eu fazia parte, escrevi uma matéria sobre a saída do Buckethead (ser que sempre me deu medo) e as possíveis implicações disso no lançamento de um novo álbum.  Confesso que esperei tanto que até perdi as esperanças e, quando este CD maravilhoso finalmente chegou às lojas, já não estava motivada a comprá-lo e a ouvi-lo. Triste, né?!

Pois bem, tudo isso mudou quando os shows da América Latina foram anunciados e, sinceramente, agradeço por ter dado uma nova chance ao Chinese Democracy, pois este é um álbum lindo, inspirador, cheio de frases impactantes e a representação de todo o processo depressivo que assombrou Axl Rose nos últimos anos. É bom demais!

Hoje, quinze dias depois do MARAVILHOSO show do Guns N’ Roses em São Paulo, posso falar que mais um sonho meu virou realidade. De verdade? Eu já nem tinha mais esperança de ver um show deles e, então, aconteceu. Foi perfeito! Foi lindo! Foi emocionante! Até hoje sinto a boa vibração daquele dia. Foi tudo muito genial. A espera, a falta de água, o cansaço e a irritação com as pessoas medíocres valeram a pena pelo tempo em que pude estar perto (mesmo que longe!) do Axl.

Ahhhhh! Que sonho…

Se eu pudesse, casava com o Axl Rose e ia fazê-lo feliz pelo resto de nossas vidas. Mas, obviamente, ia pedir para ele cantar alguns sucessos para mim… Hahahahaha! Brincadeiras a parte, agradeço muito por ter vivido o dia 13 de março de 2010, ao lado da Talita e da minha irmã. Definitivamente, foi um dia muito feliz e importante em minha vida. Foi a concretização de tudo o que imaginei durante o meu crescimento!

Lindo!


Guns N’ Roses – Marcou e MUITO a minha vida!

“A alma não vive ao fio do tempo. Ela encontra o seu repouso nos universos imaginados pelo devaneio”

Gaston Bachelard


“A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou – eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas”

Manoel de Barros



O eterno exercício para me tornar uma pessoa um pouquinho melhor a cada dia… Isso nem sempre é fácil. Pelo menos, eu tento. Eu juro que tento!

 

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