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“Um amigo fiel é um poderoso refúgio
quem o descobriu, descobriu um tesouro.

Um amigo fiel não tem preço,
é imponderável o seu valor.

Um amigo fiel é um bálsamo vital
e os que temem o Senhor o encontrarão”

(Eclesiástico 6:14-16)



Agradeço a Deus pelos meus amigos… Afinal, amigo de verdade é uma grande dádiva e sei que a minha vida hoje é repleta de muita felicidade graças a esses anjinhos enviados por Deus!

“Granada, tierra soñada por mí
Mi cantar se vuelve gitano cuando es para ti
Mi cantar hecho de fantasía
Mi cantar flor de melancolía
Que yo te vengo a dar.
Granada,
Tierra ensangrentada
En tardes de toros.
Mujer que conserva el embrujo
De los ojos moros;
Te sueño rebelde y gitana
Cubierta de flores
Y beso tu boca de grana
Jugosa manzana
Que me habla de amores”

Granada – Agustín Lara



Passar a tarde na casa dos meus avós é sempre uma oportunidade única. Além da comida deliciosa que eles oferecem e que só eles sabem fazer, a companhia é sem igual.

Vovó Neusa é o carinho e a preocupação em forma de ser humano. Sempre quer saber da rotina de cada um, minuciosa pergunta os mínimos detalhes e, mesmo confundindo um pouco as informações, importa-se em estar presente nos fatos mais marcantes da vida de seus netos. Já o vovô Olmiro é mais despreocupado com os pequenos detalhes, mas é igualmente amoroso. Gosta de contar causos do passado, relembrar canções antigas e discutir fatos históricos que ele leu em algum lugar importante.

Quando estou na casa deles, tudo acaba sendo bem simples (não há muitos luxos na vida deles), mas é extremamente aconchegante e gostoso. Afinal, casa de vó e vô é única no mundo. Não há lugar igual!

Ao lado dos meus avós, me sinto muito segura, especial e única. Eles são importantes para mim e agradeço a Deus por cada minuto que posso dividir com estes meus velhinhos amados.

Com certeza, sou uma pessoa boa, porque sou muito amada pela vovó e pelo vovô!

Passamos a tarde toda juntos. Eu, na frente do notebook dele, um Macintosh novinho em folha e ele, no computador PC mesmo. Enquanto eu revisava todo o texto que ele já considerava pronto, ele continuava a escrever o que faltava para terminar a sua dissertação.

Peguei as 30 páginas totalmente sem formatação e dei uma cara acadêmicas a elas. Coloquei o espaçamento correto, dei um recuo para as citações, escolhi a fonte adequada, conferi a bibliografia, revisei pequenos conceitos diluídos no mar de palavras, arrumei as notas de rodapé e, ainda, tentei uniformizar tudo aquilo, pensando numa ordem lógica de disponibilizar todas as idéias.

Às vezes, ele sentava-se ao meu lado. Às vezes, ficávamos em silêncio. Em raros momentos, falávamos bobagens e ríamos de piadas internas, tão comuns em nosso cotidiano do semestre passado. Conseguíamos fazer uma transição saudável entre todos os assuntos e, mesmo assim, não nos perdíamos em nossos afazeres intelectuais.

Depois de cinco horas e muita dor nas costas por ficar TANTO tempo sentada, as 50 páginas pareciam quase uma dissertação completa – faltava algumas explicações, algumas informações e uma última formatação -, mas estava bem melhor do que no começo da tarde.

Depois disso tudo, tomamos um lanche juntos. Falamos de Chaves, de amor, das férias, de sexo, demos risadas, contamos histórias velhas, fizemos pequenas reflexões conceituais (força do hábito!) e ingerimos algumas novas calorias. Na hora de se despedir, ele me levou até o elevador e eu fui embora feliz e orgulhosa. Sabia que tinha ajudado um amigo e sentia que tinha feito a minha parte como alguém que, futuramente, estará na mesma situação.

No caminho para casa, um jovem casal começou a se beijar atrás de mim na escada rolante do Metrô e, sem querer-querendo, se esfregaram em mim por um LONGO período. Depois de ficar bem irritada e incomodada, olhei feio e resolvi subir os degraus que faltavam. Foi quando percebi que não havia mais volta…

Eu realmente havia me tornado uma nerd.


“I’ve tried so hard
And got so far
But in the end,
It doesn’t even matter.
I had to fall
To lose it all
But in the end,
It doesn’t even matter”

In The End – Linkin Park



Depois de muito tempo de férias e alguns problemas não planejados, meu último semestre do mestrado começou, finalmente, na última quarta-feira, dia 24.

Eu, que ainda preciso qualificar e estar preparada para, logo mais, depositar minha dissertação, optei por fazer mais uma vez a disciplina de meu orientador neste final da minha pós-graduação. Achei que seria interessante me manter perto de meu orientador e firmar um pouco mais os conceitos desenvolvidos por ele e que, conseqüentemente, fazem parte do meu trabalho.

Enquanto eu ia à PUC (junto com as minhas amadas Melissa preta da Barbie) no começo de tarde da quarta-feira, para assistir à primeira aula, vivi um misto de sentimentos. Sem ter a companhia de qualquer colega pela primeira vez em três semestres, me peguei num forte conflito. Afinal, ao mesmo tempo em que eu estava feliz em voltar – rever àqueles corredores, reencontrar pessoas queridas, conhecer novas coisas e sentir segurança por estar num lugar que gosto muito -, eu me senti cansada também.

Tudo o que tenho vivido, neste período de minha vida dedicada ao mestrado, tem sido muito legal, divertido e inspirador, mas estou ansiosa em terminar o meu trabalho. Quero vê-lo pronto, redondinho e me sentir orgulhosa dele. Acho que já me cansei de todos os questionamentos teóricos e das diversas confusões que tenho dentro de mim em relação às teorias nas quais estou imersa.

Enfim…

Deixando os meus conflitos sentimentais de lado, a tarde foi muito boa e passou bem rápido. Conforme esperado, a primeira aula foi mais de apresentação da disciplina, dos alunos, da bibliografia e da metodologia adotada daqui para frente. Muitos dos meus colegas são pessoas novas para mim, mas encontrei alguns rostos já conhecidos (ainda bem!). Na parte teórica, não houve grandes mudanças – os livros e textos adotados já fazem parte do universo que estudou desde a segunda metade de 2008 e, sinceramente, fiquei feliz em reforçar as idéias que já fazem parte de minha realidade – pessoal e profissional.

Ao término da aula, precisei reencontrar algo que, sinceramente, é a parte mais difícil de estudar na PUC: o trânsito para voltar para casa. Eu sei que faz parte da locomoção dentro de uma cidade e tal, mas eu já estava desacostumada a isso (no litoral, trânsito não existe) e percebi o quanto de tempo que perco dentro do ônibus. Ahhhh! Lembrar isso tudo me deixou bem mau-humorada (sim, o processo de adaptação é sempre traumático para mim), mas a sorte é que consegui me centrar e deixar qualquer irritação de lado.

Para encerrar este meu primeiro dia de rotina, assisti a minha primeira aula num novo curso de inglês. Confesso que, no começo, eu estava meio desanimada e, até mesmo, irritada comigo – achei que não conseguiria me enturmar, que apenas gastaria dinheiro à toa e que seria perda de tempo. Mas, felizmente, não foi nada disso. A aula foi bem divertida, consegui conversar bastante (apesar de meu inglês estar um pouco enferrujado), adorei a professora, me dei muito bem com a turma (são apenas 9 alunos) e fiquei bem animada. Nossa! O tempo da aula passou muito rápido e confesso que saí querendo mais.

Ou seja, entre crises sentimentais, inseguranças e uma boa dose de receio em enfrentar um novo semestre, posso afirmar que este começo foi, sinceramente, muito bom e gratificante. Ah! No final do dia me senti extremamente realizada – senti que estou investindo bem em meu futuro e isso me animou muito.

Por mais incrível que pareça estou, sim, bastante entusiasmada para enfrentar os próximos meses.

Ahhhh! As responsabilidades de se tornar um adulto não são poucas. Pelo contrário, são muitas e me parece que só tendem a aumentar com o passar dos dias. É acordar mais cedo para lavar a roupa, arrumar a cozinha, limpar a geladeira, fazer supermercado, voltar ao supermercado para buscar o que esqueceu e ainda deixar de lado os momentos de lazer para cumprir com os deveres familiares, sociais e etc.

Na terça-feira, dia 23, o meu último dia de férias, senti o peso das responsabilidades adultas pesarem em mim. Ao invés de passar o dia todo dormindo e morgando, acordei cedo e fui para o centro velho da cidade, buscar o meu registro profissional. Porque, sim, depois de tanto estresse e um post bem raivoso, as coisas deram certo e agora sou uma jornalista de verdade, registrada e com o número do MTb na certeira de trabalho.

Obviamente, como não poderia deixar de ser, foi demorado (muito demorado), mas a espera no Ministério do Trabalho não foi tão ruim assim. Tive a companhia da minha querida amiga Van – na verdade, conversamos tanto que nem vimos a hora passar. E é por isso que eu falo: ter uma boa companhia é fundamental para se enfrentar as burocracias do governo. Isso é um fato!

Depois de ter acertado a minha vida profissional e de ter se despedido de minha amiga, fui andar na região da Santa Ifigênia. Como choveu muito no mês de Janeiro e houve várias quedas de energia, as fontes da TV à cabo queimaram aqui em casa e sobrou para eu resolver isso. Pela primeira vez, vi que a situação dependia da minha boa vontade e, então, corri atrás de uma solução.

Andei bastante, olhei diversas lojas, mas saí de lá com as fontes novas e entendo um pouco mais desta parte eletrônica. E preciso reconhecer que, apesar do cansaço e do calor (afinal estava muito quente), tive a oportunidade de aprender bastante e, assim, me senti mais independente e pronta para resolver os futuros problemas eletrônicos que acontecerão na minha casa.

Deixando o lado positivo de lado, reconheço que cheguei em casa bem cansada e levemente mal-humorada. Então, resolvi esquecer um pouco as funções da vida adulta e fiz algo que realmente adoro: assisti a um episódio clássico, aquele que acontece em Acapulco/Garujá, do Chaves no SBT. Ri das piadas que eu já conhecia e relaxei um pouco.

Afinal, certas coisas nunca mudam e fingir que a vida não é tão séria assim acaba sendo uma boa solução… Sempre!


Um santo remédio para os dias adultos!


Pela janela vejo fumaça, vejo pessoas
Na rua os carros, no céu o sol e a chuva
O telefone tocou na mente fantasia

Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia

Pela janela vejo fumaça, vejo pessoas
Na rua os carros, no céu o sol e a chuva
O telefone tocou na mente fantasia

Você me ligou naquela tarde vazia
Na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia
Na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia

Valeu o dia, valeu o dia
Você me ligou naquela tarde vazia
Na mente fantasia
Na mente fantasia, na mente fantasia

Podia ter muitas garotas mas você é diferente
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia
Valeu o dia, valeu o dia

Tarde Vazia – Ira! & Samuel Rosa



E tudo parecia parcialmente perdido.

Do lado de fora, a chuva caia forte e não perdoava, novamente, a cidade. Do lado de dentro, a ira e o cansaço haviam tomado conta, trazendo nervosismo, irritação e uma boa dose de desespero. Palavras pareciam vazias e completamente sem sentido. Nada preenchia, pelo contrário só deixava os sentimentos à flor da pele.

Mas, no meio de todo o caos, o telefone tocou e salvou a alma, a sanidade, a tarde. Nada demais. Uma lembrança, uma saudade, uma palavra amiga, um carinho… O diferencial! Tão simples, mas tão importante. Essencial naquela segunda-feira perdida.

Ainda bem que, apesar de todos os pesares, certas coisas nunca mudam!

Por Clarice Lispector


Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.

Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.

Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo – é por esconderem outras palavras.

Qual é mesmo  a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.

Simplesmente não há palavras.

O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.  Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também.  Sim, mas é a sorte às vezes.

Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse  ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.

Simplesmente as palavras do homem.

 

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