SALUT
Rien, cette écume, vierge vers
À ne désigner que la coupe;
Telle loin se noie une troupe
De sirènes mainte à l’envers.
Nous naviguons, ô mes divers
Amis, moi déjà sur la poupe
Vous l’avant fastueux qui coupe
Le flot de foudres et d’hivers;
Une ivresse belle m’engage
Sans craindre même son tangage
De porter debout ce salut
Solitude, récif, étoile
À n’importe ce qui valut
Le blanc souci de notre toile.
Stéphane Mallarmé

Às vezes, acho que estou entrando num universo paralelo que poucas pessoas conhecem. Começo a conversar com a minha família sobre tudo aquilo que tenho aprendido na Pós-Graduação e as conseqüentes ligações que faço depois de tais ensinamentos e eles, simplesmente, fazem cara de paisagem.
Sei que não fazem isso por mal. Pelo contrário! Mamãe e papai até tentam acompanhar os meus raciocínios desvairados, mas chega um momento em que tudo se torna abstrato demais e eles simplesmente já não conseguem abstrair. Mostro texto, coloco poesias concretas e me dissolvo em conceitos artísticos espetaculares. Mas nada disso comove-os.
Um amigo do Mestrado, certa vez, comentou que tinha medo de desenvolver uma pesquisa que não tivesse um interlocutor – alguém que compreendesse o ponto final o qual ele gostaria de alcançar com os estudos dele. Mas acho que meu medo é um pouco mais grave e palpável. Acho que tenho medo de não conseguir me comunicar mais com as pessoas que estão ao meu entorno.
Desesperador, né?!
Às vezes, acho que tudo o que eu vivo é uma piração sem fim. Mas aí encontro equivalentes acadêmicos que me entendem e que se comovem da mesma forma que eu. Então, percebo que há, na verdade, uma inadequação entre as linguagens estabelecidas no meu cotidiano. E isso me assusta… Muito!
Nomes como Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Stéphane Mallarmé ou, até mesmo, Oswald de Andrade não causam nenhuma reação para as pessoas próximas a mim a não ser um leve estranhamento. Fico falando sem parar em certas situações e acabo me sinto meio boba. Tudo aquilo que me toca e que, de alguma maneira, muda a minha vida não faz sentido para os outros mortais.
É estranho demais! Sinto que estou perdendo os meus interlocutores do dia-a-dia e, sinceramente, nem sei mais o que fazer.
“Abre a mente ao que eu te revelo e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência ouvir sem reter o que se escuta”
Dante Alighieri

1 comentário
Comentários feed para este artigo
30/09/2009 às 08:33
Mari Mar
A triste verdade é que o conhecimento isola, querida.
Serão menos interlocutores, cada vez menos. Mas isso não precisa ser um problema – você é que vai ter que aprender o que funciona com quem. E esse tipo de versatilidade você sempre teve =)
Beijos