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“Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!”
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) – O Rappa

Não dá para negar! Domingo é, para mim, o dia mundial da preguiça… Não tem jeito! Confesso que até tento estudar, ler algum livro ou simplesmente andar pela Avenida Paulista. Eu realmente me esforço para realizar tarefas no domingo, mas não consigo. Acho que é algo mais forte que eu.
Domingo acaba sendo o dia que eu mais durmo… E, sinceramente, é uma delícia! Geralmente a rotina é assim: acordar, tomar café, dormir, acordar, almoçar, dormir, acordar, tomar banho, jantar e dormir de novo. Não consigo fugir desta lógica!
É óbvio que sempre tiro um tempo para olhar meus e-mails, me atualizar no universo cibernético, lavar a louça ou a roupa e arrumar a casa, mas confesso que a minha meta do dia acaba sendo sempre uma só: DORMIR! E, olha, durmo sem culpa alguma… De verdade! Sinto como se tivesse tirando um tempo longe do resto do mundo só para renovar as minhas forças, ordenar meus pensamentos/sentimentos e descansar de verdade!
Só sei que o meu domingo está realmente acabando quando vejo Family Guy no canal FX, às 21h00. Aí, não tem jeito! Já sei que o dia de descanso está terminando e que preciso me preparar para a agitação de uma nova semana que começará dentro de algumas horas. Mas confesso que recomeçar TUDO de novo depois de um dia de muito sono e descanso é sempre MUITO mais fácil! ♣
Para saber mais de Family Guy, é só clicar aqui!
Capítulo 2 – A Chama de uma Vela
“E tentou imaginar como é a chama de uma vela
depois que a vela se apaga, pois não conseguia
se lembrar de jamais ter visto tal coisa”

Alice encontrou o Coelho em um dos corredores da instituição naquela ensolarada tarde de quarta-feira. O encontro, fruto de uma feliz coincidência do acaso, a surpreendeu no bom sentido e a fez feliz – muito feliz. Não conseguiu se conter e ficou-o abraçando fortemente, por um longo período, até que os guardas da Rainha vermelha vieram separá-los.
A academia não estava acostumada com exarcebadas demonstrações de carinho!
Ainda meio atordoada pela inesperada surpresa de seu dia, Alice voltou a andar à procura de sua sala de aula. Estava com sono e sua mente estava repleta de diversos pensamentos. Os últimos dias tinhm sido repletos de aprendizados e indagações intelectuais e a jovem menina de cabelos loiros não havia absorvido tudo o que podia.
Confundia os corredores e não conseguia se encontrar por entre as portas iguais e os números tão parecidos. Já havia desistido de procurar o gato de Cherise – ele não era o ser mais confiável naquele antro acadêmico – e estava, depois de um longo período, caminhando sozinha na estrada do saber.
Sabia que podia contar com o Chapeleiro Maluco e seus loucos amigos na orientação de seus dilemas e, no fundo, adorava quando podia participar da dança das cadeiras. O chá da tarde e a sensação de feliz desaniversário haviam mudado sua percepção de mundo, mas precisava passar um tmepo sozinha.
Quando menos esperava, por estar muito perdida em seus devaneios usuais, chegou à sala certa. Reconheceu os amigos loucos do Chapeleiro, cumprimeintou-os alegremente, mas não parou para conversar. Quis entrar logo e conseguir um bom lugar.
Lembrou, então, da citação do filósofo e a recitou baixinho:
- Toda a nossa vida é leitura!
Exibiu um leve sorriso em seu rosto e se sentiu como uma chama de uma vela que se apagou e ficou apenas na lembrança daqueles que a vivenciaram num breve momento de inspiração e poesia.


Tudo começou há 15 dias como uma dor chata e aguda no meu dente do siso inferior, lado esquerdo. No começo achei que pudesse ser apenas uma afta ou algo assim, mas como não passou, procurei um dentista de emergência. O veredicto foi certeiro: inflamação. O melhor seria extraí-lo, mas por causa de problemas no convênio de saúde e da falta de conciliação entre agendas, comecei a tomar anti-inflamatório e fiquei em observação.
Alguns dias depois, eu já estava ótima e achava que o anti-inflamatório já tinha resolvido meus problemas. Mas não! Foi apenas uma pausa, um leve engano em meu sofrimento cotidiano. Afinal, logo em seguida, o dente do siso inferior, mas desta vez no lado direito começou a ficar inflamado e REALMENTE dolorido!
Cansada de sofrer, procurei uma cirurgião buço-maxilar na última quinta-feira e a inflamação estava tão ruim que foi preciso fazer uma intervenção cirúrgica de emergência. OMG! Achei que estava indo só para uma consulta pré-operatória, mas na verdade acabei voltando para casa sem os dentes do siso do lado direito.
Obviamente, a situação pegou a todos de surpresa. Eu mesma não tinha planejado nada disso e precisei mudar vários compromissos para o meu final de semana. O começo foi difícil: conforme a anestesia ia passando, a gengiva ia doendo. O sangue que não parava de escorrer também não ajudava muito e o fato de continuar a tomar anti-inflamatório também não foi nada agradável para o meu sensível estômago.
Mas não posso reclamar!
Acredito que a minha recuperação foi mais rápida do que eu mesma esperava. Além do mais, tive alguns carinhos muito bons nesta fase chata de recuperação. Minha irmã e minha mãe me mimaram bastante, recebei um e-mail fofo e atencioso e, mais do que isso, tive uma agradável visita na noite de sexta-feira. Com direito a muita risadas, conversas, fofocas, abraços e o capítulo da novela das nove, fiquei muito feliz!
Definitivamente, o segredo da vida é saber enxergar as pequenas felicidades até mesmo naqueles momentos difíceis e complicados! E acho que, desta vez, consegui fazer isso! Bom, né?!
“Nosso dia a dia é apenas uma ilusão que esconde a realidade dos sonhos”
Werner Herzog

O quarto estava repleto de palavras, de palavras que circulavam nas sombras da fornalha do odor apaixonado de minha vida intelectual. Cansada de tantas oscilações cotidianas, busquei um refúgio no silêncio próprio da comunhão das diferentes almas e me deixe perder nos labirintos sintáticos do universo. Estava entregue, com real entusiasmo, ao pensamento irracional e claramente havia colocado as minhas dúvidas em torno da luz ativa dos conceitos bem associados.
A minha consciência estava tranqüila, até porque não estava vazia. Pelo contrário, estava realmente ocupada e cada vez mais presente nas abstrações contextuais. Meu último suspiro daquele dia estava acorrentado numa cadeia de verdades – tão fortes que eu poderia tocá-las – e as sutilezas dos pequenos detalhes reanimava, redobrava e renovava as minhas alegrias de maravilhar-se diante do novo, do desconhecido.
Era muito mais que um ato de ingenuidade, era uma fuga para fora do louco mundo real, sem necessariamente encontrar um mundo irracional consistente. Era apenas uma distensão, uma dispersão. Era um ato vivo e pleno demasiadamente repleto de harmonia poética e polifonia dos diferentes sentidos. Era emoção. Era recordação. Era gosto. Era comunicação interna. Era libertação.
Aquele devaneio havia aberto uma nova porta para mim: a consciência de um mundo dos mundos, um universo belo e paralelo. Um mundo imaginário tão bom que absorvia o mundo real e os mesclavam nas doses certas. Minha alma estava em estado nascente – era um reencontro da minha alma comigo mesma no fundo daquilo tudo!
Era apenas o meu renascimento depois de dias corridos e repletos de aprendizado!
“Para ser feliz, é preciso desfazer-se dos preconceitos, ser virtuoso, gozar de boa saúde, ter gostos e paixões, ser suscetível de ilusões, pois devemos a maioria de nossos prazeres à ilusão, e infeliz de quem a perde”
Madame du Châtelet – Discurso sobre a Felicidade

Costumo dizer que o meu orientador de mestrado é, basicamente, o meu oposto. Enquanto sofro a pressão e vivencio a angústia e o estresse constante, próprios da vida acadêmica, ele é um senhorzinho muito bacana e legal que acredita que a vida é muito mais simples do que imaginamos. Ele sempre me centra nos momentos de crise e parece sempre ter a palavra certa ou o conselho perfeito para me ajudar nos surtos diários
Ele acha que o mestrado ou o doutorado não devem ser levados a sério, pois o que importa não é o resultado final e, sim, o prazer decorrente do aprendizado, da pesquisa e do conhecimento. Ele basicamente reforça esta idéia a cada encontro e sempre previne os alunos e os orientados sobre a loucura habitual do universo acadêmico! Hehehe! Confesso que é uma visão interessante e engraçada
Outro ponto muito importante de sua filosofia de vida – porque, sim, ele vive basicamente aquilo que ele acredita e prega na sala de aula ou em eventos diversos – é o fato de crer que a comunicação só acontece num ambiente de crise e tensão. Para ele, um ambiente totalmente conhecido e confortável é o responsável pelo fim da comunicação. Ou seja, a comunicação só pode ser fruto de uma relação tensa do conhecido com o desconhecido.
Obviamente, poderia se aprofundar muito mais no tema, afinal acabei incorporando em mim muito do que ele ensina e tal. Mas este não é o ponto central deste post. O que quero comentar aqui é que ter conhecimento desta filosofia do meu orientador é o que me alegra nos momentos de cansaço e esgotamento mental.
É fato na minha vida: é só as aulas começarem que volto a viver na crise. E, graças ao meu orientador de mestrado, percebo que isso não é ruim. Pelo contrário, é algo muito útil e produtivo. Se há crise e tensão, é porque há comunicação dentro de mim e minha com o mundo externo. Ou seja, estou dialogando com o externo. Em outras palavras, estou crescendo enquanto pesquisadora, enquanto ser humana e enquanto semioticista.
Acho isso TÃO bacana e inspirador! É a luz para todas as minhas angústias e medos! Vejo que, na verdade, apenas estou no caminho certo e, talvez por isso, a minha forma de abstrair todos este conhecimento seja tão complexa e difusa!
Fenomenal! ♥
Indicação musical: Honeybee do The Wallflowers
“I need some love like I never needed love before
Wanna make love to ya baby
I had a little love, now I’m back for more
Wanna make love to ya baby
Set your spirit free, it’s the only way to be”
2 Become 1 – Spice Girls

Era uma luz azul na intensidade correta – nem tão clara não tão escura. O quarto – a suíte 22 do hotel – podia ser amplamente percebido, mas alguns detalhes ficaram camuflados, subentendidos apenas nas sensações. Era o ambiente adequado para aquele momento, até mesmo por causa de uma ansiedade inicial.
O espelho no teto – um elemento intimidador no começo da noite – havia se incorporado à trama romântica da história e era, naquele exato momento, um confidente no quarto semi-iluminado pela luz azul. Olhavam carinhosamente o reflexo dos dois e apenas sorriam – seus corpos nus eram apenas uma pintura a decorar a paisagem que contemplavam.
Não falavam nada – segundo ele, em momentos assim, é melhor não falar nada… Sentiam a deliciosa vibração do ambiente, enquanto dividiam pequenas carícias e algumas rápidas confissões. Compartilhavam o lençol, o suor, a saliva, as lágrimas, a água do chuveiro, o beijo, o toque. Reviviam um sentimento adormecido, mas intenso e devastador.
Era quase um sonho de tão bom, basicamente um delírio naquele começo de semana. A ansiedade dela havia dado lugar a uma deliciosa cumplicidade que contornava os diferentes planos sensoriais. Divertiam-se com a louca oportunidade de sentir e de viver longe da realidade conhecida.
Fingiam que não havia nada de errado fora daquele quarto e apenas deixavam a deliciosa sensação de prazer percorrer por cada parte de seus corpos. De alguma forma, estavam felizes e realizados.
“Celebrar o fogo sagrado é ter cumplicidade em cada toque trocado com a pessoa amada.”
Nathalia Wigg

