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“É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração”
(Águas de Março – Tom Jobim)

O tão sonhado e desejado mês de março de 2009 chegou e, em cada novo dia, vivi uma aventura nova, repleta de sentimentos, felicidades, tristezas, risadas, conquistas, frustrações, passeios pela Avenida Paulista e muitos sonhos de chocolate.
Aos pouco, vi o verão acabar para dar lugar ao Outono e as conseqüentes crises alérgicas da minha vida. Fui ao show mais esperado da minha vida, desejei não morrer de tanta alegria e recuperei – entre lágrimas e sorrisos – a minha fé no amor e num futuro no melhor estilo de comédia-romântica.
Decepcionei as pessoas que mais amo, perdi a noção do certo e do errado, beijei com aparelho odontológico pela primeira vez, participei de interações altamente etílicas, valorizei cada pequeno gesto da minha vida, comemorei as vitórias alheias, dancei muito e tirei ótimas fotos.
Relembrei momentos importantes do meu passado, estudei muito, tirei várias fotocópias para entender melhor a matéria da sala de aula, aprendi diversas e interessantes novas teorias, conversei com pessoas queridas e fundamentais, ganhei telefonemas essenciais, andei pelas ruas de São Paulo, ouvi todo o tipo de intimidade, escutei as mais variadas músicas e virei vários copos de cerveja ou chopp!
E, em todos esses 31 dias, minha meta foi uma só: ser cada vez mais feliz!
“A felicidade não é um destino. É um método de vida.”
Burton Hills

Festa Aterrorizando os Bixos na noite do sábado, dia 28:
“- E você, só nas festas da Cásper, hein?!
- Você também, né?!”
“Preciso fazer xixi antes da Bateria entrar”
“- Eu sou engenheiro!
- Nossa! Eu adoro engenheiros…”
“- E você faz o quê na PUC?
- Comunicação e Semiótica!
(silêncio de um longo minuto)“
“- Eu tenho a chance de ganhar um beijo seu?
(A cabeça dela apenas fez um sinal de sim como resposta)“
“- Acho que a festa não estava muito boa!
- Na verdade, acho que nós estamos ficando velhas”
“Já pegamos taxistas muito mais legais, né?!”
“- Eu tenho uma proposta: quer terminar a noite na Bella Paulista?
(A cabeça dela apenas fez um sinal de sim como resposta)“

E, assim, mais uma noite de sábado, aos pouco, terminou…
“Let me tell you
You know I,
I need a miracle
I need a miracle
It’s more than physical
What I need to feel from you”
(I Need A Miracle – Fragma)

Pelo segundo ano consecutivo, Mari e eu – quase que num momento tradição – fomos ao Clube Nacional na Barra Funda participar da primeira festa do calendário casperiano: a Aterrorizando os Bixos.
Diferente do que aconteceu no ano passado, decidimos ir a essa festa basicamente nos 45 do segundo tempo, quando percebemos que nossos planos para a noite de sábado haviam dado errado. Como não somos bobas nem nada, aproveitamos então a oportunidade e fomos nos divertir numa festinha Open Bar.
Minha meta da noite era uma só: me perder, seguindo o conselho de um amigo. Queria fazer um misto de bebidas, danças e muita azaração. E, sinceramente, acho que consegui. Me acabei nas sakêrinhas de Morango, dancei até não poder mais – fiquei até com dor no corpo – e ainda consegui conhecer um engenheiro com nome norte-americano… Fenomenal e muito divertido, com certeza!

Infelizmente nem tudo saiu como o planejado – uma notícia muito triste estragou um pouco a diversão- e alguns momentos da festa não foram muito bons. O setlist não ajudou muito e as cantadas estavam piores do que o normal. Mas aí veio a Bateria da Cásper e salvou tudo o que estava ruim… Sério!
É incrível! A Bateria da Cásper consegue ficar melhor a cada festa. Eu e a Mari ficamos no meio da galera e aproveitamos toda aquela boa vibração casperiana que só em momentos assim aparece. Foi ótimo… Quase um rito religioso, com as músicas, coreografias, o Homem Pássaro gigante, o nascimento do novo Homem Pássaro e tudo mais.
A Bateria foi o ápice da noite e confesso que, depois dela, não havia muito mais a ser visto ou ouvido. Dessa forma, terminamos a noite na Bella Paulista, que apesar de estar sendo reformada, continua a oferecer um delicioso café-da-manhã nas madrugadas paulistanas.
Com certeza, mais uma noite de sábado inesquecível… Em diversos sentidos!
Mari e eu aterrorizando os Bixos pela segunda vez!
Moral da Noite: DJ, apaga a luz e só toca, POR FAVOR, música eletrônica!
“Por onde vou guiar
O olhar que não enxerga mais
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Nesse momento menor
Pr’eu saber seu redor”
(Horizonte Distante – Los Hermanos)

Casar agendas talvez seja uma das tarefas mais difíceis em nosso tempo. Mais difícil até que casar pessoas. Isto é um fato… Não dá para negar! Neste mundo em que as mídias terciárias quebraram as barreiras da distância e do tempo, a comunicação presencial se tornou mais escassa e, em muitos casos, mais restritiva também.
Através dos diversos meios criados pelo homem, mais precisamente com a escrita e a internet, nos esquecemos – enquanto seres humanos – que a comunicação é muito mais do que a mera informação e sim, a qualidade/quantidade de carinhos que recebemos e oferecemos.
Temos a dificuldade de nos encontrar com pessoas importantes e fundamentais, porque criamos outros meios de comunicação que substituem o contato pessoal, o corpo a corpo. Dessa forma, tornamos a ecologia da informação enferma e, até mesmo, distorcida.
Na loucura do dia-a-dia não percebemos que o nosso tempo é o nosso bem mais valioso. E falo aqui do tempo natural – o do ser vivo – e do tempo social – aquele coletivo, contratado, que faz parte do mundo. Nosso tempo é um recurso esgotável. Ainda não é possível renovar o tempo e, assim, ele se torna um bem extremamente caro e importante.
Sem perceber isso, gastamo-lo em bobagens e com futilidades.
Alguns teóricos defendem a teoria de que todo poder começa com a apropriação do outro e, através do conceito de Signalökonomie (economia dos signos, ou seja, o esforço de passagem do custo de quem faz o sinal para quem o recebe), acabamos patrocinando as diversas mídias com o nosso tempo. Seja vendo tevê, ouvindo rádio, navegando pela internet ou, simplesmente, lendo uma revista/jornal.
Por isso que é importante fazer internamente as seguintes perguntas:
- Que valor eu me dou?
- Como estou vendendo o meu tempo?
E, assim, fazer uma auto-avaliação de como é gasto o tempo individual de cada um de nós. Pode parecer papão de auto-ajuda ou coisa assim. Mas não o é! É apenas uma compreensão do mundo e das suas relações comunicacionais.
Dormir, por exemplo, é vender o seu tempo ao velho nobre conceito de sonho e descanso. Para alguns isso é fundamental e, para outros, é uma grande bobagem. Vale aí o bom senso de cada um e a lógica interna.
Afinal, só entendemos a mídia quando entendemos o tempo. Para isso, é fundamental saber como gastamos o nosso tempo e, quem sabe, tentar fazer uma reestruturação do mesmo!
“Devemos cultivar nosso jardim”
Voltaire
“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…”
Álvaro de Campos

Porque há dias em que o corpo (ou a mente) só pede uma cama bem confortável para poder descansar!
Durante a aula de uma longa terça-feira, uma discussão acalorada tomou conta da sala:
Aluno 1 – Mas por que você é apaixonada? Como você explica isso?
Aluna 2 – Não sei… É algo que já nasceu comigo!
Aluna 3 - Mas peraí! Paixão não se explica… Sua pergunta não é pertinente!
Aluno 1 – Paixão se explica sim!
Aluna 3 – Não se explica não!
Professora – Não sejamos ingênuos! Paixão se explica sim. Muitas vezes um olho verde explica muita coisa!
Enquanto a sala todo debatia as paixões que moviam cada um dos presentes, me perdi em pensamentos. A terça-feira tinha sido longa demais… Eu estava com a cabeça cheia – pensava ainda em tudo que havia sido debatido na aula magna da manhã. Pensava na pergunta da minha pesquisa, buscava um eixo sólido para me nortear e vagava entre as diversas dúvidas que eu tinha em relação ao meu projeto.
De repente, tudo parou e tive um momento de epifania. Ali, sentada na segunda carteira da segunda fileira da sala 316, entendi o real motivo da minha pesquisa. Entendi a paixão que me guiava na busca do campo acadêmico e entendi porque aquele estudo de caso de tradução intersemiótica era tão importante para mim!
Tudo ficou tão claro e explícito que me senti boba por não ter percebido isto antes… Mas era óbvio: eu tinha tirado o véu da ingenuidade que tampava meus olhos e podia enxergas as ‘verdades’ que moviam meus atos, minhas paixões, meus sentimentos e minhas motivações pessoais.
Senti-me feliz! Era bom entender o que realmente acontecia comigo… E, mesmo sem querer, voltei para casa sorrindo. Aos poucos, eu conseguia desvendar a minha própria vida!

“Love is what the trouble is”


Adoro interações etílicas!