
Voltando do carnaval e de todas as reflexões causadas pelo mesmo, me deparei com uma interessante questão na aula de Teoria Culturalistas: por que o homem se comunica?
O professor, assim, entrou por um caminho até então desconhecido para mim: o homem se comunica para sobreviver, para preencher o vazio que existe dentro de si, para fugir da morte, para esquecer a sua solidão – tão inerente a sua existência – e, principalmente, porque é um ser incompleto.
Dessa forma, é possível entender que toda letra é, na verdade, um grande vazio, nós é que a preenchemos com significados. E logo, como disse Flusser, toda escrita é o preenchimento do vazio com significados. Profundo, né?!
Meu professor foi além: para ele, toda escrita se faz bordando e todo esse processo tem uma temporalidade. Logo, tempo é comunicação. Ou seja, tudo é comunicação, tudo é vazio e tudo não é nada! Que loucura, né?!
De repente, me senti assim: vazia. Enquanto tomava um delicioso Cappuccino caseiro da lanchonete do 5º andar da PUC, parei para pensar direito e percebi a fragilidade da existência humana e como tudo ao nosso redor só serve apenas para preencher este vazio existencial.
Foi uma sensação epifânica, viu?! Sério!
Éramos um grupo de mais de 20 pessoas, todos sentados numa mesa redonda, discutindo o vazio da vida e como a mídia preenche este vazio para nos controlar cada vez mais. É o famigerado processo de emburrecimento na linha mais radical de pensamento.
Nem preciso dizer que saí em crise da aula, né?! Mas foi uma crise boa e construtiva. Parei para pensar em várias que coisas que nunca reparei e aí, dei significado a vazios até então desconhecidos. Adorei… Muito!
Aliás, adoro tudo aquilo que me desconstrói para, depois, me construir numa versão melhor e muito mais crítica em relação ao mundo que me rodeia!

“Der Mensch als Mängelwesen”
Arnold Gehlen

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