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No dia em que apresentei meu trabalho de Conclusão de Curso (14 de Novembro de 2007), depois de ganhar a minha nota dez, fui jantar com minha família – uma das exigências de meu pai para a ocasião.
Enquanto eu absorvia tudo o que tinha acontecido na pizzaria, meus avós maternos me entregaram um pequeno pacote: uma pulseira (de luas minguantes) banhada de prata. Eles queriam me presentear pela ocasião (sabiam que aquela defesa era o ápice de minha formação acadêmica) e acharam que àquela semi-jóia era o mais adequado.
Lembro certinho que, quando me entregou, vovó falou:
- Quem escolheu essa foi o seu avô. Eu queria te dar outra, mas ele adorou as luas… Não teve como convencê-lo que as outras eram mais adequadas para você.
Achei o ato muito carinhoso e lembro que fiquei bem emocionada (como com todos os outros presentes que ganhei naquela noite). Tudo bem que prefiro simbólica mais o sol do que a lua – afinal, sou leonina e meu planeta regente é o sol -, mas peguei o maior carinho pela pulseira por saber que tinha sido uma escolha do vovô – uma pessoa um pouco ausente dos cuidados cotidianos da família.
Desde então, usei a pulseira de luas minguantes todos os dias e, apenas no final do ano passado, passei a intercalá-la com duas pulseiras que ganhei da Mari (de dadinhos rosas e azuis)… Fofas e importantes também!
Mas perdi a minha pulseira na noite da quarta-feira, dia 29. Depois um café no Reserva Cultural e de algumas cervejas num barzinho da Paulista, voltei para casa à pé (conversando com a Mari) e minha pulseira (tão linda) deve ter caído num momento em que eu estava distraída ou coisa assim. Pois fato foi que, quando cheguei em casa e fui me trocar, a pulseira já não estava mais no meu braço.
Procurei por toda a casa, tirei os tapetes, olhei nas roupas que eu tinha usado (podia estar presa lá ou coisa assim) e, mesmo de pijama, desci de elevador para dar uma olhada no portão. Mas não teve jeito: não a encontrei em lugar algum.
Nem preciso dizer que fiquei arrasada, né?! Queria ligar para a minha mãe e buscar um conforto naquele momento, mas já era tarde e não queria acordá-la. O jeito foi deitar e tentar dormir para o efeito do álcool passar. Mas não dormi direito: tinha sonhos com a pulseira e fiquei toda agitada… Perdi o sono várias vezes, mas não tinha condições de ficar acordada.
No dia seguinte, logo que acordei, procurei por todos os lugares novamente, mas foi em vão. Minha irmã, minha mãe e até as meninas me consolaram, pois eu continuava bem chateada. Afinal, não era o valor da pulseira o que me importava, era tudo o que ela simbolizava: o final do TCC, a minha nota 10, a atenção dos meus avós, o gosto do meu avô e etc.
Mas não teve jeito! Acabei optando por não contar aos meus avós o ocorrido (não quis chateá-los) e fui na loja onde eles compraram meu presente, a fim de comprar outra pulseira para substituí-la. Obviamente não achei uma igual, mas acabei comprando uma bem parecida – algo que confortou um pouco mais.
Além do mais, como mamãe sabiamente me falou no telefone, “vão-se os anéis e fiquem os dedos”, né?! Posso ter perdido a pulseira de luas minguantes, mas nunca vou perder todas as recordações do dia em que a ganhei… E isso é o mais importante de tudo!
Será que foi culpa da lua?
