“O que Deus uniu o homem não separa”



Hoje, meus pais comemoram 26 anos de casados – o que equivale à Bodas de Alexandrita, de acordo com o folclore nacional.

Eles podem estar casados à 26 anos, mas se conhecem a 31 – o primeiro ano foi a época em que papai era chefe da mamãe no banco e ela resistia às cantadas dele (papai era meio galinha e saia com todo mundo!). Nos outros quatro anos, eles namoraram e ficaram noivos.

A primeira música que meus pais dançaram foi Não Chore Mais, de Gilberto Gil, a versão nacional de No Woman, No Cry. Quando papai pediu para namorar a mamãe, ele a levou no Terraço Itália, jantaram à luz de vela, comeram uma enguia do pacífico e dançaram a noite toda.

O noivado só aconteceu quando a minha mãe ia começar o último ano da faculdade de Psicologia. Ficaram noivos numa noite de natal – papai colocou a aliança na ponta de uma língua-de-sogra e mamãe demorou muito tempo para ver. Contam que foi a maior gritaria por parte dos parentes e que todos ficaram emocionados.

A data do casamento foi marcada graças a uma artimanha de vovó Neusa. Durante um almoço de sábado, meus pais conversavam sobre o casamento, mas explicaram que ainda não tinham escolhido a data por não conseguirem parar com calma para olharem um calendário do ano seguinte. Vovó, neste instante, tirou um calendário de trás da mesa de jantar e entregou para papai.

Aí, não teve como fugir. Escolheram, então, duas datas: 8 de Janeiro para o casamento do Civil e 15 de janeiro para o casamento religioso.

Como meus avôs paternos eram muito velhinhos, resolveram fazer o casamento civil lá em Santa Cruz do Rio Pardo (cidade que meu pai foi criado), no jardim da casa de uma das minhas tias no meio de um churrasco.

Papai conta que a tabelioa chegou toda chique e os encontrou todos sujos de carvão, terra e resquícios de churrasco. Contam também que foi divertido e muito emocionante – meus avôs ficaram felizes de poderem ver o filho caçula se casar.

Já o casamento religioso aconteceu na Capela do Orfanato da Igreja São Judas. A cerimônia começou na hora determinada (sem atraso algum) e mamãe entrou na igreja com o som do coral das crianças do orfanato.

No altar, todos os padrinhos tiveram que ficar sentados – meu avó materno tinha acabado de ter um derrame e não conseguia ficar de pé por muito tempo. Como ele tinha que ficar lá na frente da igreja, meus pais optaram, então, por pôr todo mundo sentado então.

A fita do casamento já passou por diversos processos de conversão. Daquele rolos enormes virou VHS e, no último ano, virou DVD! É legal ver a cerimônia, principalmente quando toca  Eu sei que vou te amar de Vinícius de Morais, junto com o Soneto da Fidelidade. É lindo demais!


SONETO DA FIDELIDADE
Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Para comemorar a ocasião – os 26 anos de casados – fomos jantar fora ontem à noite. Papai nos levou à Riviera der São Lourenço para comermos uma pizza (meia carne seca, meia três queijos). Ninguém falou muito durante o jantar, mas confesso que foi bacana presenciar esta data tão importante na vida dos meus pais e da nossa familia.


Ainda bem que eles se casaram, né?!

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