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“Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim”

moon_new


2008 foi uma noite octossilábica em que as palavras, vogais e sílabas tiveram gosto de frutas – algumas doces, outras amargas e algumas até estragadas.

Debaixo de um tapete estrelado, muitas vezes escondido por diversas nuvens – causadas por furacões – vivi o “mais doce, dado e descuidoso, dos idílios fraudulentos”* e uma mescla de vozes tão fortes que era a mais genuína poesia em ação de dois corpos.

A realização me veio por meio das palavras escritas, orais e corpóreas num desencontro e encontro poético sem fim.

Chorei risos de desespero e comemorei lágrimas de felicidade. Perdi-me nas ruas da vida e descobri uma métrica dos sonhos e dos desejos, desconhecidos para mim até então.

Dancei (todos os sons possíveis), comi (os mais variados pratos) e bebi até me fartar e passei mais tempo alcoolizada do que sóbria, algo que rendeu muitas risadas, boas história e, sem dúvida, diversas recordações.

Tive o prazer de quebrar os limites existentes em mim e no universo ao meu redor, apenas pela necessidade de fazer isso. E, assim, vi a minha vida virar literalmente de ponta cabeça. Mas aí, segurei na mão de quem estava ao meu lado – sempre teve alguém ao meu lado -, respirei fundo e fui em frente.

Mesmo de olhos fechados e cabeça abaixada, enquanto sentia a pressão do tempo, ouvi belas palavras e recebi carinhos sem iguais. Quando não tive coragem de olhar, apenas escutei: ‘Então não olha!’ e, dessa forma, sabia que estava tudo bem.

Podia sentir a gravidade contra mim em alguns momentos, mas alguém – geralmente alguém muito especial – me lembrava de que a história era minha e eu podia fazer o que eu quisesse dela. Então, desafiei minha fé, enquanto rezava um ‘Pai Nosso’, e valorizei cada pequeno milagre do meu cotidiano.

Vi sonhos se tornarem névoas e névoas ao acaso virarem a certeza de um futuro próspero e promissor. Mesmo sem acreditar, segui os meus pés nas indicações recebidas pelos outros e, mais tarde, entre um copo de cerveja e outro, percebi que estava sim no caminho correto.

Deixei de lado as certezas e as incertezas apenas para viver cada dia como se fosse literalmente o último. Deixei-me surpreender pelas novidades do dia-a-dia e celebrei cada pequena conquista. Encontrei a felicidade nos mínimos detalhes de minha existência e me tornei um ser humano melhor e mais feliz!

Por isso tudo que falo, se 2008 foi uma noite octossilábica, tenho a certeza de que 2009 será um lindo dia!


2008

* João Guimarães Rosa

 

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