Segundo o veterinário, Tom Zé está não corre mais risco de morte. O quadro de saúde dele continua grave, mas continua estável e dá pequenas melhoradas ao longo dos dias.

Conseguir pegar a veia dele pela segunda vez e dar soro com certeza já foi algo muito bom, principalmente porque mostra que ele está um pouco mais forte e hidratado. A brabeza dele ,que aumenta a cada hora junto com o seu grau de interação, também é bastante significativo… É a regra: quanto mais bravo para tomar os remédios, melhor ele estará. Afinal, estará reagindo!

Na parte física, ele tem feito mais xixi – isso demonstra que os rins dele estão funcionando – e, pela primeira vez desde que ficou ruim, meu pequeno cachorro conseguiu comer. Ótimo!

Agora é ter paciência e torcer para o quadro dele reverter o quanto antes. Enquanto isso, paralisei um pouco a minha vida e estou atendendo quase que 24 horas por dia, junto com minha mãe e minha irmã. Mas não tem problemas.

O importante é meu bebê ficar bem… Só isso me importa agora!

Conforme esperado, a noite de sexta para sábado não foi nada fácil. Tom Zé, meu pequeno Yorkshire de quase 10 anos, continuou a passar mal… Muito mal! Defecava fezes com sangue a cada 5 minutos e ficava cada vez mais fraco com o passar das horas. Com isso dormir foi quase impossível. Minha mãe, minha irmã e eu nos revezamos para cuidar dele.

Mesmo assim, dormir foi duro. O calor estava forte e a cabeça estava a MIL. Preocupação não faltava… Mas chega um momento em que o corpo não agüenta e pede um descanso. Foi nesse momento em que me entreguei – sonhei com um alguém especial (sonho louco, mas bom) e tive um pequeno delírio com um conto chamado O Fantástico Caso da Menina que Casou com a Parede! Loucura, né?!

O sábado foi igualmente difícil. Após mais sessões de mal-estar e alguns vômitos, voltamos para o veterinário. Dessa vez, não teve jeito: medicação para veia para ajudar o cachorrinho. Como ele estava bem fraquinho, ele cooperou e, a partir daí, o prognóstico dele foi melhorando. Fizemos novos exames – ultra-som das cavidades abdominais e hemograma – e os resultados mostraram uma intoxicação mesmo.

É um quadro difícil e complicado. Mas, dentre tudo o que poderia acontecer com ele, com certeza este foi o menor dos males. Ele está estável, mas cada hora que ele agüenta é muito importante e o ajudará a converter isso… Meu menino, tão importante para mim, está sendo forte e agradeço a São Francisco pela proteção.

Passei a última noite rezando muito… E sei que, de alguma forma, eles me ouviram lá em cima. Nem sei como sou grata por isso.

Para encerrar este sábado bem tumultuado, saí um pouco de casa – deixe o bebê Tom aos cuidados de minha mãe – e fui à pizzaria Krystal comemorar o aniversário do meu querido professor, orientador e amigo Luís Mauro. Ao lado de pessoas queridas e especiais, dei uma espairecida, conversei, ri um pouco e descontraí.

Com certeza, eu precisava disso!

Agora, é continuar cuidando do Tom Zé e rezando muito. Afinal, a força da fé remove montanhas!


Terminar um dia longo ao lado de pessoas queridas e especiais é sempre bom… Aliás, é MUITO bom!

Oração aos animais

São Francisco de Assis

Meu São Francisco de Assis
Protetor dos animais
Olhai por nós que rogamos
Vossa benção e muita paz.

Olhai os abandonados
Sofrendo agruras nas ruas
E os que puxam carroças
Açoitados nas ancas nuas.

Pelos pobres passarinhos
Que não podem mais voar
Presos em rudes gaiolas
Só porque sabem cantar.

E as cobaias de laboratório
Que sofrem dores atrozes
Em experiências terríveis
Que lhes impõem seus algozes.

Olhai os que são perseguidos
Sem piedade nas florestas
Só por causa da ambição
Dessas caçadas funestas.

Pelos animais de circo
Que não têm mais liberdade
Presos em jaulas minúsculas
À mercê de crueldade.

Olhai os bois de rodeio
E os sangrados nas touradas
Barbárie e crimes impostos
Por pessoas desalmadas.

Pelos que têm de lutar
Até a morte nas rinhas
Quando o homem faz apostas
Em transações tão mesquinhas.

Olhai para os que são mortos
Nos macabros rituais
Em altares religiosos
Que usam sangue de animais.

Meu bondoso protetor
Oro a vós por meus irmãos
Para que sua dor e tristeza
Não sejam sofrimentos vãos.



Era para ser apenas uma sexta-feira mais agitada que o normal: estágio de manhã e almoço na casa da madrinha à tarde. Pretendia fazer supermercado e adiantar alguns afazeres domésticos – afinal, meu final de semana será curto e estou bem atrasada com TODAS as minhas tarefas. Mas, infelizmente, o dia acabou se tornando o mais difícil e sofrido desta semana – e olha que a competição foi fortenos últimos dias, viu?!

Meu cachorrinho, o bebê Tom Zé – um Yorkshire de quase 10 anos (ele faz aniversário na próxima quinta-feira), começou a passar mal. Durante a noite, ele apresentava sinais de febre e enjôo, mas os sintomas começaram a piorar e, no meio da tarde, ele começou a evacuar sangue (sangue puro… Terrível).

Corremos para o veterinário – um doutor muito bom que tem aqui perto de casa – e passamos o resto da tarde lá: foram coletas de sangue, soro sub-cutâneo, dezenas de injeções, uma boa dose de estresse, minhas mãos mordidas durante um ataque de fúria e muita preocupação. A principal suspeita é intoxicação – só não sabemos a quê.

Ele está sendo tratado, mas ainda esperamos o resultado do hemograma dele – assim, teremos um pouco mais de certeza do que está havendo com ele. Ao mesmo tempo, o pequeno cachorro (ele não tem nem 3kg) está sofrendo: late de dor, resmunga o tempo todo, não consegue lugar e posição para descansar e não para de evacuar sangue. Já sujamos dúzias de panos e tapetes e nada parece conter.

Ele está sofrendo, é óbvio, e não podemos fazer nada. O bichinho precisa esperar os remédios fazerem efeito e nós só podemos ficar observando e tornando esse momento ruim um pouco menos desconfortável.

É terrível… Talvez uma das experiências mais complicadas que já passamos com ele e olha que a lista não é pequena. Mas, pela primeira vez, não podemos fazer nada mais, além de esperar e isso está nos matando. Já nem sei mais o que fazer… Estou até apelando para a fé. De verdade!

Sinceramente, espero que São Francisco proteja meu eterno bebê e não o deixe sofrer muito… Porque eu já não agüento vê-lo desta forma!


Até doente, Tom Zé consegue ser lindo… Não é mesmo?

“A minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei

Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu espero sempre mais de ti

Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim”

Eu quero sempre mais – Ira & Pitty




Segundo o que estudei esta semana, Arthur Schopenhauer foi um dos primeiros pensadores a desconsiderar a razão como a principal motivação das ações humanas. O filósofo alemão acreditava que o homem era guiado pela VONTADE, uma vontade de expandir a vida e de conseguir cada vez mais.

Esta vontade estaria ligada a formação (e afirmação) do EU por ser, basicamente, um impulso irracional e totalmente incontrolável. Por ser um eterno impulso para ir sempre em frente, esta vontade NÃO tem um foco e jamais será satisfeita. Aliás, não pode ser satisfeita jamais, por isso que sempre nos move e nos impulsiona para algo melhor.

Em nome desta vontade, qualquer atitude é válida e, obviamente, isso gera um conflito interno nos indivíduos – afinal, se vale tudo, a vontade deixa de ter ética e entra em choque com os princípios estabelecidos pela sociedade.

O lado pessimista desta visão é que, como já mencionado, a vontade não pode ser satisfeita jamais e isso gera uma série de frustrações e angústias no ser humano. Ou seja, o homem sempre desejará mais e mais. Com isso, nada poderá satisfazê-lo e ele será um eterno frustrado.

Triste, né?!

Sorte que há uma saída para isso: a contemplação estética que envolve sentimentos e faz com que, momentaneamente, o ‘ter’ e o ‘querer’ estejam juntos. Isso propicia um certo alívio e ajuda a enfrentar a eterna frustração da vida.

Bom, isso foi apenas algumas breves linhas do pensamento de Schopenhauer. Afinal, este blog é feito muito mais de emoções do que razões filosóficas. Por isso, para saber mais, recomendo a leitura de dois livros: “O Mundo como Vontade e Representação” e “Aforismos para a sabedoria de vida”, ambos do filósofo alemão.

Acho que este é um bom começo para este vasto campo do conhecimento humano!


“A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos”

Arthur Schopenhauer

“Clearly I remember
Picking on the boy
Seemed a harmless little fuck
Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recess lady’s breast
How could I forget?
And he hit me with a surprise left
My jaw left hurting
Oh, dropped wide open
Just like the day
Oh, like the day I heard”

Jeremy – Pearl Jam



Ok! O erro foi meu… Só meu! Mas isso não me faz ficar melhor. Pelo contrário, me deixa um pouco mais chateada e até envergonhada.

O fato se deu assim: animada pela última aula do meu orientador, resolvi participar desta aula e contribuir com algo que eu achava que poderia ajudar a provocar algumas interessantes discussões voltadas para um dos meus objetos de estudo: a teledramaturgia. Pelo menos, era o que eu pretendia.

Aproveitando um gancho (a explicação da narrativa de ação e a apropriação da mesma pelo mercado mundial), levantei a mão. Meia hora depois, já tinha sido absorvida por novos pensamentos e foi bem aí que me deram a vez para falar. Não sei se já estava muito confusa ou se acabei me expressando mal (acho que foi as duas coisas). Só sei que falei besteira e, na hora, fui corrigida. Sei que não foi nada pessoal – fui corrigida para não cometer o mesmo erro mais vezes e não escrever algo tão grave em minha dissertação.

Mas o fato é que fiquei chateada comigo mesma! Já estou no Mestrado e não posso me dar ao direito de começar uma frase com “eu acho…”. Afinal, sejamos francos, quem sou eu para achar algo. Além do mais, não saber se expressar é muito ruim para alguém formada em comunicação, não é mesmo?!

O erro foi meu… Só meu! Devia ter me recolhido a minha insignificante ignorância e ter ficado quietinha em meu canto, no lado direito da sala de aula. Já me ensinaram várias vezes que, na pós-graduação, quanto menos se aparecer será melhor. Afinal, diminui as chances de virar motivo de chacota ou alvo de ciumeiras bobas (próprias da disputa de ego em qualquer campo de atuação profissional).

Mas não! Quis dar o meu pitaco e aprendi… O silêncio, às vezes, é uma das melhores benções na vida de uma pessoa. Aprendi isso da pior forma – me sentindo humilhada -, mas também não esqueço mais!

Agora, vou solucionar meu problema: vou costurar uma boneca de pesadelos, assim como se fazem na Guatemala, e vou comentar para ela a minha terrível experiência de hoje. Quem sabe assim me sinto melhor e menos angustiada com a situação ruim que vivi!


“O silêncio é um amigo que nunca trai”

Confúcio

“Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer…”

Toda Forma De Poder – Engenheiros do Hawaii



Depois de uma terça-feira longa, quente e muito produtiva em termos intelectuais, um encontro do destino com aquele alguém especial seria o que eu mais poderia querer… Infelizmente, nem tudo acontece como a gente deseja e, de alguma forma, o dia se encerra numa noite quente e com lua cheia no céu!

“O passado não é apenas lembrança, mas sobrevivência como realidade inscrita no presente”

Julio Plaza



Houve um tempo em que minha vida era extremamente regrada. Meu quarto (meu símbolo MOR de auto-expressão) era extremamente organizado, não tinha um objeto fora de lugar – tudo estrategicamente pensado. Meus CDs tinham uma ordem e meus DVDs estavam organizados de forma alfabética, de acordo com um arquivo em Word que eu mantinha sempre atualizado.

Meus armários eram impecáveis. Calças numa parte, blusas de inverno em outra, sapatos organizados de acordo com necessidade e uso. Minhas gavetas também eram extremamente arrumadas – calcinhas separadas de meias a sutiãs. Blusas curtas numa parte, blusas compridas em outra e assim por diante.

Nessa época, até eu era uma pessoa organizada. Sabia quando estava doente, quando estava feliz, quando estava triste, o que me causa alegria, o que me causava tristeza. Eu sabia o que eu pensava: sabia quem eu amava, que eu não gostava e tudo mais. Até minha menstruação era organizada e certinha.

De um tempo para cá, principalmente após o final da faculdade, minha vida passou a se resumir através de três letras: WOW. Minha vida, basicamente, virou uma loucura só. E a loucura é tanta que, às vezes, eu só consigo falar “wow”, como o Marilyn Manson em uma das músicas de seu último CD, o The High End of Low.

Há horas que entro no meu quarto e tenho vontade de chorar. Muitos dizem que é perfeccionismo meu, mas eu sei que tudo aquilo está bagunçado, porque eu sei que minha vida está bagunçada. Já não sei o que penso, o que sinto, o que me alegra, o que me entristece, o que me irrita e etc.

Só sei que, em algum momento de meu passado, fiz uma escolha. Mas, definitivamente, eu não sabia o quão caro seria o preço de minha escolha. Em contrapartida, se minha vida está uma bagunça enorme – incluindo o meu quarto e todo o resto da minha casa -, eu tenho a plena consciência de que cresci muito nos últimos tempos.

Se eu já não sei mais o que penso, o que eu sinto e se já não consigo deixar o meu quarto organizado, com certeza sigo uma linha de raciocínio totalmente diferente. Tento fugir das oposições binárias, discuto poesia concreta, entendo obras de arte ‘contemporâneas’, leio Deleuze e passo a viagem de família comentando a respeito de Leibniz e sua inclinação para o barroco.

É tão complexo isso tudo!

Estou pagando um alto preço cotidiano, ao mesmo tempo em que cresço no âmbito intelectual. Complicado… Muito complicado!

 

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